As palavras são


São sempre as mesmas
E são sempre elas
As que trazem tristeza
Que aparecem sem clareza

Tem o poder de dominar
De alterar o ar
De trazer o que não
Se quer dizer

De faltar na hora que mais se precisa
E se desorganizarem das ideias
E confundirem os sentidos reais
Das circunstâncias essenciais

De imporem ordem
De punir, exaurir.
Exigir magoar e retorquir

Rugem por punição
Ditam ou expressão a questão
Á duvida.
Prometem e às vezes mentem
Ferem as feras das relações
Machucam os corações
Quebram confiança
Quando se abre a alavanca do segredo
Trazem o medo!

Às vezes calam
Porque dizem que consente
Quando se sente.

Há quem diga que,
Quando são silenciadas
É porque foram vitimas
De alguma bobagem

Algo a faz silenciar
Quando o motivo não é de agradar.

Vamos bradar pra reclamar
Ser ouvido ou ser possuído
Pelos dons da arte cantada
Da arte proseada, recitada.
E figurativa de um artista de palco
Que solta à voz junto com o corpo

Tem poder de tirar e receber
Tem poder chegar e partir
De soltar algo que não se deve sair
De um grito do existir

As palavras são!
Tom Campos

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