Tangerina
fazem dez anos que não vivo poesia
fazem dez anos que não encontro meu verso
e meu corpo controverso
não sente mais a sede
quero um copo meio
não pode ser transbordado
uma vida chei, ainda sim é vazia!
me contento com o minimo
a gota imaculada
da inspiração diaria
afeto, dessamarrado no meu cadarço
a cada dois passos um tropeço
a cada tropeço um recomeço
na queda, devaneio um olhar vago no céu
é azul, imenso, intenso
não, não é azul, é uma figuração
somos figuras em imagens de ação
que um dia se vão
partem a carne do tempo
deixam as cascas em carne viva
mas precisam de partida
tudo um dia parte
inclusive a não mais minha, tangerina
somos figuras em imagem e ação
que ainda amanha, se vão!
pra onde?
Tom Campos

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